Fernando Correia

Crónica

Fernando Correia

TODA A CAUSA TEM O SEU EFEITO

A notícia é amarga e surge logo a seguir ao apregoado e proclamado mês da fraternidade: Dezembro!
E a notícia é esta: cresce o número de portugueses endividados, ao mesmo tempo que duplica o número dos que não têm abrigo ou tendo abrigo não têm dinheiro para comer, nem para remédios, nem para sustentar os filhos, muito menos para os educar, nem para comprar roupa, nem para a electricidade, nem para os transportes, nem para sorrir!...
A maré enche e vaza com a força dos fluxos e refluxos da natureza e se do Natal ficou a história cristã, também ficou a aridez de um bolso vazio ou de uma vida penhorada. O Ser Humano é assim e, por vezes, gasta o que tem e o que não tem, apoiado num enganador cartão de crédito que só serve a quem o emite; outras vezes gasta – se a si mesmo, a reivindicar os direitos que não lhe dão e quando procura trabalho para “sair da rua”, as portas fecham – se -lhe na cara, com as mais variadas e invulgares justificações.
É por isso que o Estado Social se deveria envergonhar do que faz na maioria das suas acções, deixando como herança histórica o facto de cada vez haver mais gente rica e, como consequência, mais pessoas na miséria ou no limiar da miséria.
Não pensarmos no que isto quer dizer é iludirmos o significado da nossa própria existência e ignorarmos a razão de ser da humanidade, tal como foi concebida e criada.
Ou seja: o cidadão abastado (que não divide o que tem) e se serve dos outros para conseguir, para si, mais riqueza, é um simples Ser abastardado que tem uma visão distorcida da realidade, não sendo capaz de perceber a importância do esforço colectivo, nem de avaliar a grandeza de uma existência repartida e, certamente, mais de acordo com o significado da vida terrestre, da vida material. E, por essa via de procedimento, jamais encontrará o caminho do espírito, jamais será iluminado pela grandeza da dádiva, pela importância da partilha, pela nobreza do caracter que, afinal, não tem e pela alegria de estender a sua mão a quem dela precisa.
Alguns justificam – se dizendo que foi o acaso que lhes deu o dinheiro, o poderio, a voz de comando, a supremacia…
Falácia. Justificação que nada justifica. Sombra da realidade.
Para esses recomenda – se vivamente a consulta do “Caibalion”, se tiverem a coragem de o ler e de o entender, ou mesmo só de o ouvir. Se o fizerem encontrarão a “voz” de uma consciência diferente: TODA A CAUSA TEM O SEU EFEITO; TODO O EFEITO TEM A SUA CAUSA; TODAS AS COISAS ACONTECEM DE ACORDO COM A LEI SUPERIOR; O ACASO É SIMPLESMENTE O NOME DADO A UMA LEI NÃO ENTENDIDA E NÃO CUMPRIDA.
É preciso, então, perceber e tomar boa nota do que estas palavras significam, porque, de facto, toda a causa tem o seu efeito.
Quando os Seres Humanos menos avisados entenderem o que isto quer dizer, poderá ser demasiadamente tarde.


A Galinha dos Ovos de Ouro

Portugal e Lisboa continuam a ser destinos preferidos internacionalmente, o que contribui largamente para que a economia, a nível do Estado, “sorria” feliz. Alguns senhorios, infelizmente, mas porque a lei o permite, desataram a despedir inquilinos e a promover o turismo local que é uma espécie de galinha dos ovos de ouro, mas que só pode ser “comida” por alguns. Ou seja: cria-se a galinha, ela põe os ovos de ouro e, depois, quando se esgotam os ovos, ainda dá para fazer uma cabidela, servida à mesa dos tais privilegiados, mas cozinhada com o sangue dos que ficam sem casa.

A história repete-se. Nunca se sabe donde vem a riqueza, mas normalmente é sempre feita à custa da pobreza dos outros.

Para além desta dura realidade a que ninguém consegue pôr cobro (por enquanto), o abuso turístico é uma constante e se não houver uma vigilância constante e atenta, a especulação sobe de tom e aqueles que nos visitam, porque o destino é bom e atractivo, começam a perceber que alguma coisa vai mal e que, por vezes, os custos são exagerados.

É importante perceber o que se está a passar e exercer uma vigilância atenta e um controlo total das situações para que este magnífico destino turístico não feche as suas portas, por culpa dos que querem enriquecer a qualquer custo.

Também se torna importante recordar alguns exemplos anteriores ocorridos com outros destinos portugueses, onde a especulação deu cabo das belezas turísticas, transferindo os visitantes para Espanha, onde lhes deram (e dão) condições mais vantajosas. É, por isso, o momento de travar o que está errado, de incentivar o que está bem e não ter contemplações com os do costume que não olham a meios para atingir os seus objectivos imediatos.

Portugal é um destino turístico de eleição. São múltiplas as belezas e o povo é carinhoso, tranquilo e fraterno. Com toda a naturalidade, abre as portas de casa aos visitantes e partilha o que tem sem querer nada em troca. Pois bem. Que este exemplo seja seguido pelos grandes proprietários, hoteleiros e comerciantes e que juntos, defendam e tratem bem a nossa “galinha dos ovos de ouro”.