Fernando Correia

Crónica

Fernando Correia

A “NAMORADINHA DO BRASIL” NÃO TEM NAMORADO

Regina Duarte deixou de namorar o Brasil mas, ao que parece, isso não lhe custa nada. Pelo menos percebe–se que foi o Brasil a acabar com o namoro, provavelmente por já estar farto dela, o que nem se deve censurar. Os namoros são assim e servem para isto mesmo. Ou seja, tudo começa por aquilo quer se pode definir como compreensão mútua, por entendimento mútuo, por se achar que não há ninguém igual, mas depois, a pouco e pouco, verifica–se que há pormenores que não são ultrapassáveis, que afinal a beleza não é tudo, que o corpinho apetitoso não esconde os defeitos da alma e que as palavras são tão feias que nem uns lábios carnudos as disfarçam.

Não se sabe se Regina Duarte ainda gosta do Brasil, mas percebe-se que o Brasil já não gosta de Regina Duarte. Pelo menos, muito do que se vê e do que se ouve aponta nesse sentido, correndo até “abaixo–assinados” contra o facto de Regina continuar a ser Secretária da Cultura, o que ultrapassa de longe o facto de ser uma simples namorada do País.

E porquê?

Exactamente por não ter feito fosse o que fosse pela cultura brasileira, que tem um belíssimo historial de poetas, escritores, músicos, actores, compositores, pintores, pensadores e por aí fora. E tem, também, um historial pouco recomendável de falta de apoio a todas as pessoas que poderiam contribuir para a subida do nível cultural do país e para o projectar no desejável universo da arte e da sabedoria mundiais.

Regina foi uma esperança. Mas não passou disso. Regina tinha um passado artístico que podia dar garantias de apoio e compreensão das necessidades culturais. Mas não passou disso. Regina foi uma boa actriz. Mas não passou disso.

Actualmente, o papel que representa é de um absurdo e inconveniente cariz político e, os brasileiros assim o dizem, muitíssimo mal representado. Já não passa disso.

E para aqueles que olham o mundo global com olhos de ver e percebem o que nele se passa com coração de sentir, estes casos de ascensão ao poder (sempre efémero e enganador) são reveladores de algo que está disfarçado, ou escondido, na alma de determinadas pessoas, personagens de si mesmas no palco da vida, ainda que durante algum tempo estejam sentadas na plateia do dia a dia a baterem palmas aos outros. Claro que são aplausos de inveja, palmas de conveniência, sorrisos forçados de mentira para compor a falsidade da peça que estão a representar.

E há quem se lembre daquela “Malu Mulher” – que por pouco escapou à feroz censura da ditadura brasileira – protagonizada por Regina Duarte, nessa altura apenas para espectador ver, uma grande defensora dos direitos humanos, dos direitos do seu povo, essencialmente dos direitos das mulheres.

O tempo é outro e, agora, nem o “senhôzinho Malta” lhe pode valer, porque até ele deixou de estar enamorado pela “viúva porcina”!

FERNANDO CORREIA