Fernando Correia

Crónica

Fernando Correia

CONFESSO QUE NÃO PERCEBO

Afinal queremos, ou não, turistas estrangeiros em Portugal e, nomeadamente, no Algarve?
O turismo é incompatível com a luta, em Portugal, contra a “covid-19”?
Queremos os turistas e, depois, não os deixamos sair dos hotéis?
Tenho dúvidas quanto aos procedimentos.

Portugal precisa da indústria turística e reclama (com razão) da decisão de Boris em excluir o nosso país dos destinos seguros.

Recentemente chegaram ao Algarve 2.400 jovens holandeses. Olha que bom! Mas atenção: vão um bocadinho à praia, mantendo as regras do distanciamento, bebem água ao jantar e, a seguir, toca a ir para a caminha.

Está-se mesmo a ver!...

Por isso não escondo as minhas dúvidas e quero partilhá-las para me sentir útil à comunidade.

As regras internas estão estabelecidas e as fronteiras estão abertas. A livre circulação de pessoas voltou a ser (quase) um facto.

Precisamos urgentemente de relançar a economia e necessitamos de turistas como de pão para a boca.

Os hotéis, restaurantes, bares e discotecas têm de funcionar.

A própria Inglaterra reabriu os “Pubs”.

Bom. E nós? Mandamos patrulhas da GNR para as ruas da Oura e corremos com a malta toda, por causa dos ajuntamentos.

Acabou.

E não há um pouco de flexibilidade racional?

Claro que os turistas vão procurar outros destinos. Claro que a Espanha rejubila. Claro que a Grécia bate palmas. A Itália põe colchas à janela e a França abre o Louvre e o Moulin Rouge com a mesma vontade de cativar a rapaziada que vem da estranja, seja lá como for.

Pensemos, então, com alguma clareza.

Bem-vindos os turistas. Que tragam dinheiro e o gastem cá. Que bebam umas cervejas. Que comam marisco. Que cumpram as regras possíveis para evitar contágios. Que riam. Que cantem. Quer se sintam bem. Que passeiem. Que visitem. Que vejam. Que fiquem. Que voltem.

Isto não é uma “balda”. De facto, não é. Mas sejamos coerentes e pensemos que se não fizermos o mesmo que os outros países, vamos certamente ficar sozinhos a “chorar baba e ranho de todo o tamanho”, sem dinheiro, sem turismo, com mais desemprego, com mais dívida pública, com a hotelaria fechada e… com “covid”.

Isto só vai lá quando a doença conhecida como “covid-19” deixar de ser avaliada como uma pandemia e passar a ser tratada como uma endemia.

Mais uma, entre muitas que andam por aí à solta, e que matam todos os dias.

FERNANDO CORREIA
(Jornalista e Autor)