Fernando Correia

Crónica

Fernando Correia

AS OBJEÇÕES DE CONSCIÊNCIA

A frequência obrigatória das aulas da disciplina de “Educação para a Cidadania” está a ser posta em causa por alguns sectores políticos e católicos da sociedade portuguesa, não se sabe se por alguma razão plausível, se por mera conveniência de contexto.

Tenta-se, por essa razão, que os alunos não sejam obrigados a frequentar as aulas e a obter na disciplina uma classificação positiva, argumentando-se com a figura da objeção de consciência que, aparentemente não encontra no caso vertente qualquer campo aceitável de análise e de aceitação.

Porquê? Porque não se encontra na sua fundamentação nenhum conteúdo ideológico que esteja aquém ou para além da Constituição da República Portuguesa e porque defender que seja uma disciplina opcional permite um aprofundamento das muitas desigualdades, infelizmente, já existentes na nossa sociedade.

Não vejo que faça mal, que seja contraproducente, que ancilose os sentidos, não tratar da matéria ambiental, da defesa do consumidor, das finanças, das necessidades culturais, da segurança, da defesa, da paz, da igualdade de género, dos direitos humanos, do voluntariado ou da saúde.

Sinceramente não vejo que alguma destas matérias possa motivar objeção de consciência, a não ser por comodismo dos alunos que não estão para perder tempo, ainda por cima apoiados por alguns pais, com uma disciplina obrigatória como esta, “inventada” pela sociedade atual.

Fico preocupado com os objetores, por temer que eles estejam, de facto, a seguir um condenável caminho político, absolutamente contrário à Constituição Portuguesa, aprovada em acto democrático pela Assembleia da República.

Só por essa razão dou visibilidade a esta matéria.

FERNANDO CORREIA
(Jornalista e Autor)