Fernando Correia

Crónica

Fernando Correia

VÊM Aí OS FUNDOS EUROPEUS

As comemorações do “5 de Outubro” foram, obviamente, mais simbólicas do que vividas ao pormenor, não só pelos efeitos das possíveis celebrações em grupo e suas consequências, mas também porque vários protagonistas dessas celebrações ainda viviam, com alguma apreensão viral, os efeitos do último Conselho de Estado onde participou António Lobo Xavier, já infectado com o “covid-19”.

Mas, apesar da contensão e da apreensão, o Presidente da República voltou a ser bem claro no seu discurso comemorativo da data, tendo a inteligência e a capacidade política de o orientar para aquilo que, na verdade, parece ser neste momento mais importante. Ou seja, o interesse colectivo dos portugueses e a necessidade de uma convergência no essencial das forças políticas.

No primeiro caso, a leitura interpretativa vai no sentido de ser fundamental, numa altura em que estão a chegar os fundos europeus, manter o interesse colectivo acima dos interesses individuais, que o mesmo é dizer muita atenção porque o dinheiro que aí vem não é só para alguns. Por outro lado, também há uma leitura política orientada para a necessidade de haver cedências para que a convergência seja viável no essencial e o Orçamento de Estado permita uma governação séria e cuidada.

Mas a leitura pode ir ainda mais longe baseada no pressuposto que deve imperar uma ética republicana contra a corrupção. No fundo são duas faces da mesma moeda que só pode chamar-se “Euro da transparência e da integridade”.

Sabe-se que palavras e actos percorrem distâncias diferentes, mas bom seria que, de uma vez por todas, se pensasse nos País e não numa dúzia de portugueses privilegiados, os tais que são sempre os “protegidos” e “beneficiados” nestas ocasiões.

Fundos passados já demonstraram onde está o problema, permitindo uma distribuição muito pouco equitativa.

Chegou a hora de se mostrar ao Mundo a tal transparência e a tal integridade, para que possamos dizer que, em Portugal, nos encontramos todos a trabalhar para o mesmo fim, pensando na sociedade global, nos problemas da comunidade e nas crescentes zonas de pobreza.

FERNANDO CORREIA
(Jornalista e Autor)