Fernando Vieira

à Deriva

Fernando Vieira

Míngua d’água

Depois das espalhafatosamente consumistas boas vindas ao Ano Novo, nas quais explodiram no ar milhões de euros em foguetórios e afins, eis que tudo volta à rotina de todos os dias, que neste bissexto 2020 serão 366. A vida regressa à “normalidade” para mais um período temporal de 12 meses, o qual só se deveria iniciar em março, caso o ser humano respeitasse o ciclo da Natureza, como era suposto.
Contudo bem o sabemos Homem e Ambiente andam de candeias às avessas, muito por culpa do primeiro, que usa e abusa do segundo a seu bel-prazer. Receio que até às últimas consequências.
Vem isto a propósito das perspetivas para a região algarvia ao longo do ano agora iniciado, que deverá agravar o estado de seca severa, caso as desoladoras previsões climatéricas para os próximos meses se confirmem.
Escassas reservas de água nas barragens, capacidade limitada de retenção de humidade em solos bastante fustigados pelos incêndios dos últimos anos, inexorável processo de desertificação, aquecimento global das temperaturas… Enfim, o cenário não se me afigura nada promissor, muito pelo contrário.
Entretanto, janeiro mal começou, o que me leva a acreditar que os ditos responsáveis pelas entidades ditas competentes estejam desde já a estudar planos de contingência, a salvaguardar eventuais constrangimentos, a garantir a qualidade de vida possível para residentes e visitantes.
...Sou um incorrigível otimista, eu…!  

02-01-2020