Fernando Vieira

à Deriva

Fernando Vieira

Invasão estival?

Num dos primeiros atos públicos que assisti após o período de confinamento social, causou uma indisfarçada onda de surpresa nos presentes a revelação, feita por uma figura proeminente do poder local algarvio, que os empresários turísticos e concessionários de praia do seu concelho esfregam as mãos de contentes, perspetivando um Verão em cheio.
Não obstante, e apesar de tudo.
Ao que parece, essas perspetivas auspiciosas e otimistas – exageradas…? – teriam sido partilhadas durante uma reunião de trabalho em que, precisamente, os agentes turísticos foram sensibilizados para as rigorosas medidas higiénicas que a atual conjuntura, ainda pandémica, recomenda.
Pessoalmente, não tenho dados, nem para surfar nessa boa onda, nem para ficar no areal, apreensivo, se bem que me incline mais para esta última postura.
Mas uma coisa é certa: o Algarve no seu todo, das entidades públicas aos privados, dos organismos de saúde e proteção civil ao cidadão comum, teve uma atitude exemplar desde a primeira hora desta crise epidemiológica… que ainda está longe de sanada.
E não esqueçamos que foi aqui que o coronavírus deu os primeiros sinais de também não poupar o nosso país.
Seja como for, e passados três longos meses, o Algarve figura, de pleno direito, no mapa europeu das regiões turísticas mais seguras, o que explicará a forte procura por quem quer fazer férias na região. Isso resulta, não duvido, da capacidade de resposta de todos nós, algarvios, a esta crise que ninguém esperava, nem nos piores pesadelos.
Tenhamos sempre presente que há duas áreas fundamentais para a atração de turistas: a segurança e a saúde, pois enquanto dependermos exclusivamente da monocultura do turismo, estas terão de ser as nossas prioridades.
É que quando o setor espirrar e apanhar uma gripe, essa virose minará a economia regional e afetar-nos-á sem dó nem piedade.

2-06-2020

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