Fernando Vieira

à Deriva

Fernando Vieira

Amigos da onça

Se dúvidas houvesse que o turismo algarvio – e, como tal, a região no seu todo – está a atravessar um nefasto período, de reflexos bastante reservados e de longa duração, a decisão do Governo inglês de excluir Portugal dos "corredores de viagem internacionais" constituiu violenta machadada.

A resolução de Londres de nos banir da lista de destinos turísticos que permitem aos britânicos passarem férias sem cumprir quarentena no regresso, terá consequências muito graves no futuro próximo desta região, uma vez que só esse mercado representa cerca de 60 por cento dos turistas que nos visitam.

Não consigo vislumbrar uma razão clara e objetiva para esta decisão, tanto mais que Espanha, França ou Itália, por exemplo, fazem parte dessa ‘lista dourada’, apesar de serem os países mais afetados no continente europeu, quer em número de casos de covid-19 quer em número de mortes, logo atrás – recorde-se – da Inglaterra.

É que no Algarve temos menos de 650 casos acumulados para cerca de 500 mil residentes, o que representa, em termos de confirmações de coronavírus, uma percentagem pouco superior a 0,1 por cento de pessoas que foram ou estão infetadas com a covid-19.

Portanto, é com um sentimento de incompreensão e de injustiça que vejo países com indicadores muito inferiores a Portugal, como é o caso do número de testes por milhão de habitantes, serem considerados destinos seguros, sem obrigatoriedade de quarentena. Para mim, e em circunstâncias puras e normais, não faz o menor sentido.

Sei, entretanto, que esta decisão não influenciará os muitos turistas oriundos das terras de sua majestade que conhecem as qualidades inerentes ao Algarve e que sabem que nesta região a covid-19 está perfeitamente controlada.

Também sei que os milhares de residentes ingleses a viverem na região estão a passar a mensagem aos seus conterrâneos, desmistificando uma imagem preconceituosa, que Boris Johnson e seus pares acabaram por transmitir com a sua despropositada deliberação.

Os problemas que atravessamos são muito difíceis, pelo que é essencial que a União Europeia pós-Brexit trabalhe em conjunto, definindo estratégias comuns nos níveis nacional, regional e local, para a reabertura de fronteiras, restabelecendo um dos pilares da construção europeia: a livre circulação de pessoas e mercadorias, desde que tomadas as medidas de cumprimento das regras de circulação, de convivência e de distância segura entre as pessoas.

Como está a suceder no Algarve. cuja indústria turística representa 4,6 por cento do PIB português, estando 87 por cento do emprego gerado na região relacionado diretamente com este setor.

… Ah, e esqueçam lá isso da “mais antiga aliança do mundo ainda em vigor”.

8-07-2020

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