A Propósito


O que seria de nós sem os brasileiros?
Jorge Leiria

Assistia na televisão, não tanto atónito (já nada me surpreende) mas sim incomodado, ao desfile LGBTI+ outro dia em Lisboa. Se a tal comunidade lhes assiste o direito (que não questiono) de exibirem o seu orgulho, a mim ninguém me tirará o direito de reservar a minha sensibilidade.
A influência vanguardista dos nossos irmãos brasileiros nesta matéria é notável, pelo que recordo alguns excertos de um texto cheio de humor e oportunidade do nosso José Vilhena (Gaiola Aberta, n.º 29, 2.ª série Novembro de 2005), temendo a sua eventual perda. Ora tomem nota:

... «Receio bem que este pobre e desajeitado país, privado do engenho, da graça e do calor humano dos nossos irmãos brasileiros, entre em colapso e acabe desabando ... Vão-se embora os dentistas brasileiros, que (melhor ou pior) nos tratam a boquinha ao preço da uva mijona; vão-se os futebolistas e treinadores brasileiros, que fazem andar a bola cá em Portugal, vai-se a Heloisa Gorda, o desembaraçado Frota e os realizadores brasileiros que tocam prá frente as nossas produções televisivas; vão-se os bispos e padres brasileiros da Igreja Universal do Reino de Deus e de outras afreguesadas seitas; vão-se os bruxos e cartomantes brasileiros que adivinham a sorte dos portugueses e acodem às suas aflições. Como vamos viver sem eles? E vão também as inúmeras putas brasileiras, cujas bundas aquecem as noites portuguesas, com elas vão os maricas e travestis brasileiros que trouxeram outra alegria e colorido às nossas ruas. E, é claro, deixam de vir do Brasil os reis e rainhas dos nossos carnavais provincianos.
...E vai-se também o abandalhamento da língua portuguesa - tão legal, com o pessoal a bater papo, a encher o saco, a fofocar e a curtir no bem-bom.".

E foi isto tudo que, a propósito me ocorreu.