José Maria de Oliveira

Letras e Traços

José Maria de Oliveira

As Bolhas

Dizem os entendidos que a vida começou no mar... contudo, e se tomarmos em linha de conta a grande propensão "aerofágica" da esmagadora maioria  dos seres vivos – sem "ar" não há vida –  sinto-me fortemente inclinado a afirmar que a vida começou no AR!
O que equivale a dizer que a "vida" antes de meter água começou por meter AR.
Assim, muito antes das famosas trilobites e demais bichinhos do antanho, e muito antes de se precipitarem as chuvas diluvianas que deram origem aos oceanos, já a antiga atmosfera terrestre existia e era povoada por numerosas "espécies" flutuantes, que por motivos óbvios de fragilidade, (as bolhas não têm consistência obsessiva) os respectivos registos fósseis não chegaram ao nosso conhecimento.
Pairavam, então, esses seres esféricos, felizes, policromáticos e ululantes sobre a paisagem antrocolítica terrestre.
Movia-as ora o vento ora um pequeno orifício produzido, para o efeito, na sua superfície e no sentido contrário para onde se queriam deslocar. Esse orifício, a que podemos chamar "pipo", após cumprir a sua função, era imediatamente fechado e não se ficava a notar absolutamente nada. Contudo o que as "bolhas" gostavam efetivamente era de "navegar" ao sabor dos ventos. A "bolina" não era com elas!
Alimentavam-se, como é óbvio, dos gases atmosféricos de então e chegavam a durar milénios, pois como não havia nada que as rebentasse, a sua tensão superficial era praticamente constante, sem desgaste, nem agressões, quase eternas...
Segundo as nossas fontes, foi essencialmente o aparecimento dum composto atmosférico
tipo gás  metano com um forte cheiro a ácido sulfídrico, que as levou a abandonar a vida aérea e a procurarem refúgio nas águas  pouco profundas e quentes do oceano. O resto da história já você pensa que sabe, tal como eu!
A esses espécimes, cuja única sustentação plausível é ainda a atual configuração da cabeça humana, poder-se-iam muito bem ter chamado: BOLHAS! Esses são, pois, os nossos legítimos e "primogénitos" antepassados que a constarem na taxinomia Lamark-Darwiniana seriam os primeiros na escala de evolução das espécies.
As bolhas eram totalmente assexuadas, pelo que nunca se lhes poderia, com propriedade, atribuir a “origem da tragédia”!
Antes dessas "vesículas vivas", apenas existiram as borbulhantes emanações das erupções vulcânicas e de outros meteorismos de não menos importância, que passaram à história.
Ainda hoje, a cega paixão pelos balões, nas crianças, pela bola, nos adultos, pelos preservativos nos amantes, pelas bochechas na política, e pela bolsa, nos acionistas (entre outras), são a prova cabal do que acabei de dizer.
Reparem como tudo o que é perfeito e genuinamente "primitivo" se aproxima do divino formato das esferas, da bolha!
Pitágoras e os seus acólitos é que tinham razão e, quando Alcebiades, no "Banquete" de Platão, disserta sobre esse ser "perfeito de quatro braços e quatro pernas", próximo da esfera, que queria conquistar o Olimpo, está a bater em cheio naquilo que afirmamos… a chamada bolha olímpica!!!
Demorará, certamente, ainda muito tempo para que a "ciência oficial" venha a reconhecer este facto: Não será certamente nas gerações mais próximas, mas, quando o pião do tempo rodar para o segundo centénio da era do Aquário, é que esta verdade insofismável e insuflável, virá a lume, iluminadamente pela mão cristalina dos doutos "conscientistas". (cientistas conscientes).
Até lá, paciência! As nossas fontes são outras!
Contudo, se o meu amigo(a) guardar esta notícia como recorte, de modo que os seus trinetos, ou tetranetos, daqui a mais ou menos, cento e vinte anos a descubram, iria ouvi-los dizer, caso estivesse vivo:
Os velhos é que sabiam!...
(o que é certo é que esta tese já se confirma…)
“Bandarrices minhas”…