Paulo Cunha

Musique-se

Paulo Cunha

Porquê a Música?

Seja com que idade for, a música tem o condão de exercer uma atração capaz de despoletar uma série de reações emocionais em quem com ela contacta. Qualquer pessoa que, de forma lúdica ou profissional, lide com música sabe que ninguém consegue ficar indiferente aos seus atraentes e inebriantes efeitos. Coloquemos uma fonte sonora ao dispor de quem se sinta atraído pela música e constataremos que, de forma natural e intuitiva, essa fonte será experimentada e explorada, tal o poder da música. 

Por mais difíceis que, em diversas circunstâncias, possam parecer as condições para produzir música, a vontade de a concretizar é sempre mais forte, conseguindo assim superá-las. A história da música assim o regista e a música na atualidade comprova-o.  Havendo vontade, persistência, empenho, dedicação e disciplina, surge música onde haja engenho e arte para a criar e interpretar. 

A par da Matemática e da Filosofia, antigamente, a Música era considerada como fundamental para a formação dos futuros cidadãos. Ao longo dos tempos, as cantigas de rodas, as lengalengas populares e outras músicas do folclore regional sempre exerceram uma função muito importante nas relações socioculturais e no desenvolvimento psicológico e corporal das crianças do mundo inteiro. A música pode, também, contribuir na aprendizagem doutras disciplinas, favorecendo o desenvolvimento de áreas correlacionadas (cognitiva, linguística, psicomotora e socioafetiva). 

Estando a música presente na vida e na cultura dos povos, potenciando transformações, determinando condutas e conceitos e servindo como forma de expressão da sensibilidade, da criatividade e dos valores éticos e estéticos, ensiná-la respeitosa e condignamente é uma obrigação! Parece-me, por isso, imperioso e fulcral ter, como veículo potenciador e catalisador, gente que queira e goste de ensinar música a quem esteja disponível para a aprender.   

“Querer é poder” é mais do que uma frase feita. Tendo-se baseado nesta premissa, todos os agentes educativos têm encontrado ao longo da história, para além de todas as diferenças sociais, económicas, étnicas, geográficas, políticas e religiosas, formas de superação e de união em torno de um objetivo comum: dignificar e valorizar a Música. 

Quando me questionam quais são os fatores mais importantes para o ensino e aprendizagem da música nas escolas, apetece-me responder apenas: “O querer!” A Escola acontece quando alguém aprende o que alguém tem para ensinar, independentemente do espaço físico onde tal ocorra. E não há melhor exemplo para o mostrar ao mundo do que a mais antiga e universal língua colocada à disposição de toda a humanidade a Música. Haja quem a queira aprender e o céu será o limite!