Paulo Falcão Alves

Vaguear na Maionese

Paulo Falcão Alves

MUNDO ÀS AVESSAS

Há um ditado do povo que diz «não há nada que o tempo não cure», pois bem, desde março que este ditado me assola a alma!!! – Para já o tempo parece não ter curado nada, antes pelo contrário, só tem piorado...

Perante todas as minhas incertezas questiono-me uma vez mais sobre a real gravidade desta situação em que todos nos encontramos – novamente, muitas perguntas para uma razia de respostas...

Os discursos contraditórios das altas figuras responsáveis pela saúde pública em Portugal deixam-me sem paciência... ontem as máscaras não eram eficientes, mas hoje já são! Areia para os olhinhos do povo! – Em pleno estado de emergência o governo teima em manter as comemorações do 25 abril e do 1.º maio...não sei se por complexos de inferioridade ou se por insanidade mental, mas lá tivemos que “engolir mais um sapo”.

Entretanto no meio de tanto “pisca, pisca” ligamos a televisão e assistimos aos discursos de Trump e Bolsonaro a ignorarem as advertências da OMS e a assumirem “sem complexos” uma postura contraditória ao resto do mundo, tentando não parar a economia com a justificação de que se não morrerem da doença, irão certamente morrer da cura. Na Europa, a Suécia, um país considerado exemplar no que diz respeito a políticas sociais, assume uma postura idêntica com a justificação de que é melhor keep walking do que chacinar todo um sistema económico e social.

O que continuo sem perceber é por que razão um vírus com uma taxa de mortalidade a rondar os 3%, cerca de 0,003% da população mundial, consegue dizimar toda uma economia mundial? Como podemos continuar a justificar estas políticas de confinamento despótico sabendo que a taxa de mortalidade incide principalmente nos idosos sendo que nas crianças, jovens e adultos é relativamente baixa ou quase inexistente? Porque é que as políticas de controlo sanitário não se aplicaram de forma estratégica aos mais velhos e àqueles com quadros clínicos mais débeis, evitando este shutdown global que ficará para sempre na história como um exemplo daquilo que não se deve fazer?

Digam-me senhores Comissários, Deputados, Presidentes, Chefes de Estado e “coisas assim” – vai ser o povo a pagar uma vez mais pela incompetência das vossas políticas? Vamos ter que voltar a encher os bolsos daqueles que enriquecem à custa dos juros da dívida pública dos países mais pobres? O que é que andamos todos a fazer neste mundo às avessas?...