Sílvia Oliveira

Mundo

Sílvia Oliveira

Parque Nacional Komodo

A Indonésia é o maior arquipélago do mundo. Circunscrita por milhares de ilhas onde se podem observar vários encantos da natureza: praias, florestas subtropicais, cascatas, montanhas e vulcões. Uma enorme variedade de paisagens e de vida animal.

Quando se viaja de barco pela Indonésia temos o prazer de ver a quantidade de ilhas que se avultam pelo mar de uma forma indistinta.

Desde criança que tenho um fascínio, misturado com medo, pelos Dragões de Komodo. Lembro-me de um episcópio que o meu pai me ofereceu – nos anos setenta – com imensos filminhos, a maioria dos quais com animações, onde havia um conjunto deles que retratava a história e vida dos dragões.  E, desde então, eu sonhei vê-los por perto. Passaram-se quarenta anos…  quando finalmente embarquei nessa aventura!

O Parque Nacional de Komodo é formado por três ilhas principais: a ilha de Komodo, a ilha Rinca e a Ilha de Padar. Só visitei a ilha de Komodo e a ilha de Rinca. Consta que na ilha de Padar se fazem caminhadas bonitas, mas não tive oportunidade de lá ir.

Em 1986 o Parque Nacional de Komodo foi declarado pela Unesco, Património Histórico e reserva Biológica, por nesta região habitar o maior reptil vivo do mundo.  Estima-se que sejam cerca de quatro a cinco mil. E vivem à solta pelas imensas ilhas, sua casa.

Quando entrei no Parque, como não ia em nenhum Tour tive de comprar bilhete. Mas não é apenas um bilhete! É um bilhete para o trekking na ilha, é um bilhete para ter guia, um bilhete para mergulhar nas águas cristalinas… foram ao todo cinco bilhetes! Um negócio e peras! O nosso nome e nacionalidade fica registado num livro e penso que seja assim que controlam as visitas à ilha… e os trocos que ganham dos visitantes.

– Preparados para caminhar? Pergunta o guia. E enunciou algumas instruções importantes: não sair das trilhas, manter-se perto do grupo, não olhar diretamente para o dragão, não se aproximar das zonas de ovos... e pergunta: – Alguma mulher menstruada??  Retorqui-lhe: – Porquê? Resposta simpática: – É que os dragões podem ser atraídos pelo cheiro do sangue e atacar. Quer dizer que os dragões atacam!?!

Mais algumas considerações e iniciamos a caminhada pela ilha. Agarro na minha máquina fotográfica, desejosa de fotografar lagartos gigantes, mas cheia de medo, claro.

No início da caminhada, perto das primeiras habitações erguidas sobre palafitas, estavam três fêmeas entorpecidas que mais pareciam estar sedadas.

Vimos vários dragões e corríamos para fotografá-los. Obviamente que no meu grupo estávamos muito mal-informados sobre estas “estrelas de Hollywood”.

E foi assim, que o guia resolveu começar a contar-nos um pouco mais sobre a vida dos dragões.

Informou-nos que são carnívoros, que com uma mordida aprisionam animais bem maiores, como búfalos. Aqueles crânios que estavam atados em algumas arvores, tinham sido o resto de alguns ataques. Explicou-nos que a mordida não é muito poderosa, mas que liberta um “veneno” que provoca paralisia na vítima.

Eu nem sequer ia munida de equipamento para caminhada. Foi quando comecei a perceber que afinal o lagarto não era vegetariano, sentindo-me desprotegida com os meus singelos chinelitos de verão.

E como se não bastasse, avizinhou-se um macho no meio da trilha. O guia apenas transportava um longo pau de bambu. Francamente, não faço ideia se seria alguma arma de proteção/defesa, ou se seria apenas para facilitar a caminhada ou sei lá… para show off!!

Ficámos petrificados a olhar para o bicho. As italianas do nosso grupo, davam aqueles gritinhos, típicos de mulher que descobre que afinal o dragão não é um camaleão! Eu só pensava que se tivesse de fugir de um bichinho destes no seu estado furioso, de chinelos não ia a lado nenhum! Além disso, os dragões também são bons corredores, chegam a atingir os 20km/h.

Entretanto esqueci que tinha máquina fotográfica, abandonei o modo turista e entrei em modo sobrevivência.

Sem grandes soluções o guia manda-nos para fora da trilha. Essa parte foi “fantástica”. Os meus pés afundavam-se naquele emaranhado de folhas caídas das árvores. Tal era o volume de folhas que os pés simplesmente desapareciam. O mais engraçado era sentir que as folhas se “mexiam”. Só no final daquela “pequena” emoção é que o guia resolve dizer que os lagartos mais pequenos se escondem no meio da vegetação para se protegerem dos grandes. Quer dizer que ainda por cima são canibais.  Significa que nem a própria espécie está a salvo! Mas vocês estão a pensar que só existem Dragões na ilha?? – questiona o guia – aqui também há uma variedade de cobras venenosas. Menu completo!!

– TIREM-ME DAQUI!!!

Como o calor já incomodava, alguém do grupo lembrou-se de perguntar onde nos poderíamos refrescar. Fomos encaminhados para uma bonita zona de águas cristalinas. Todos prontos para o mergulho?? Mas…. Os dragões também são excelentes nadadores. Ficamos apenas a contemplar as águas.

Se porventura tiverem o privilégio de visitar estas maravilhosas ilhas, para além das dicas comuns, aquelas que usualmente nos dão, eu acrescento ainda: não levar chinelos.